Das 12h às 17h, Amanda Guimarães é apenas uma garçonete. Mas nas horas livres, ela dá vida a Mandy Candy, uma youtuber babadeira com mais de 300 mil seguidores. Nos seus vídeos, ela aborda assuntos como qual banheiro ela usa e como contou ao namoramandy livrodo que era transexual. A youtuber lançou recentemente o livro “Meu Nome é Amanda”, onde conta como passou a infância sendo transsexual.

Amanda é a quinta filha (a caçula!) e conta sobre sua infância, quando aos 5 anos colocava uma calça jeans na cabeça e desfilava pela casa, fingindo ter cabelo comprido. “Se não fosse pela minha família, talvez eu tivesse caído na prostituição ou algo pior. Não passei nem 1% do perrengue que os outros transexuais passam. Minha mãe nunca me virou as costas ou me expulsou de casa”.

Mais velha, Amanda, passou a ter desprezo pela imagem e se recusava a se olhar no espelho. “Não gostava do que via refletido neles. Era outra pessoa, não eu”. A youtuber confessa que chegou a ter pensamentos suicidas por conta da disforia que sentia. “A repulsa era tanta que cogitava pegar uma faca e cortar minha genitália fora.”

 

Na adolescência, Amanda inventou planos para faltar às aulas sem a mãe desconfiar. Uma delas era deixar a janela do quarto aberta e fingir que estava indo para o colégio. Na verdade, ela se escondia atrás da casa, esperava a mãe ir para o trabalho e voltava para a cama.

A outra técnica era pegar o ônibus para o colégio, mas descer alguns quarteirões antes do previsto. Em seguida, ela entrava numa locadora de videogames e só saía na hora de voltar para casa. “Cheguei a ser reprovada duas vezes por falta. No colégio, me sentia como uma presa no meio de caçadores. A espingarda era a boca. E a munição eram as piadas e os apelidos maliciosos. Até hoje tenho pesadelos horríveis. Sonho que voltei para o ensino médio e acordo tremendo da cabeça aos pés”, contou a youtuber à BBC Brasil.

Um dia, uma amiga de Porto Alegre tocou no assunto da mudança de sexo pela primeira vez. “Foi como se um elefante saísse das minhas costas”, relembra. Apesar de o SUS realizar cirurgias de redesignação sexual desde 2008, Amanda decidiu que queria fazer a sua na Tailândia, com o médico Kamol Pansritum. O cirurgião operou a ex-BBB Ariadna e a modelo Lea T.

Para realizar a tão sonhada cirurgia, Mandy teria que desembolsar R$ 35 mil. Então, ela trabalhou três anos em um call center para pagar a viagem e conseguiu realizar seu sonho em 2004. Hoje, aos 27 anos, a gaúcha mora Hong Kong com um coelho, uma tartaruga e um porquinho-da-índia.

Infelizmente, a fama não livrou Amanda de ataques. Após postar um vídeo, em 2015, assumindo sua identidade, ela voltou a sofrer transfobia.  “Às vezes me sinto uma aberração da natureza. Outras, uma mutante como os X-Men (personagens de quadrinhos da Marvel). Mas, não importa se você é gorda, negra, asiática, gay ou trans. Se sofreu ataque virtual, tem que denunciar. Quem pratica cyberbullying precisa ser punido”.

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